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Carol Rache

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Ter vaidade não é ruim

Você acredita que ter vaidade é uma coisa ruim? Você acha que agir pela sua vontade de ser vista, de ser reconhecida, é negativo? 

E se eu te disser que existe uma forma de atender ao desejo do nosso ego de ser reconhecido, mas ainda assim atender ao desejo da nossa essência de transbordar amor para o mundo? 

É sobre isso, sobre a relação entre vaidade e essência, que vamos falar hoje. 

Ter vaidade não é ruim, é humano

Afinal, o que é vaidade? 

Vaidade nada mais é do que uma preocupação excessiva com a forma como as outras pessoas te enxergam. Ela é uma necessidade de ser aplaudida, reconhecida, vista pelo mundo. 

E, claro, ela é uma necessidade que nasce do ego. 

No geral, as pessoas têm muita dificuldade de admitir as suas vaidades. Ninguém gosta de dizer que é vaidoso. 

Mas suas vaidades existem, quer você goste ou não. Quer você admita ou não. 

Sai na frente quem olha para dentro, se investiga e reconhece as próprias vaidades. 

Sabe por quê? Como eu disse, as vaidades abastecem o seu ego. Admiti-las é também admitir que o seu ego existe.

E todo mundo tem uma ideia pré-formada de que o ego é ruim. De que você precisa se livrar dele.

Só que, na condição humana, é impossível atingir essa expectativa ilusória de que algum dia você será 100% essência. 

Ninguém é 100% nada. 

Será que é razoável a gente considerar que algum dia você não terá mais ego? Será que isso não faria de você sobre humana? 

Eu gosto de trabalhar com a hipótese de que o nosso ego existe e que nós não devemos querer matá-lo, mas sim trabalhar para conseguir reconhecer quando estamos a serviço do ego. 

Se você admite ter vaidade, você se permite atender o ego neste ponto, consciente do que está fazendo. 

E é justamente por ter clareza dos momentos em que você está atendendo ao seu ego, que você sai do risco de que ele te domine sem que você perceba. 

O jeito certo de admitir ter vaidade

À essa altura, você já entendeu que é preciso admitir que você tem vaidade, certo?

Mas existe um jeito certo de fazer isso. Um jeito leve, que vai te permitir olhar para essa vaidade sem auto julgamento. 

Para fazer isso, é necessário cultivar dois hábitos específicos: o hábito da auto investigação neutra e o hábito da prática da humildade. 

A auto investigação

Esse primeiro hábito é importante para toda a sua jornada de autoconhecimento. 

Gosto de especificar que essa auto investigação precisa ser neutra, porque, para que ela seja eficiente, você precisa abrir mão do auto julgamento. 

O que seria abrir mão do auto julgamento? 

É treinar a sua habilidade de olhar para o que você sente, pensa e faz, sem atribuir qualidades positivas ou negativas para o que você observa. 

É você cultivar o hábito de olhar com curiosidade para aquilo que acontece do lado de dentro, sem a necessidade de classificar como bom ou ruim. 

Acontece que essa prática precisa de treino. E quanto mais treino, mais automática ela fica. Somente praticando isso todos os dias, você conseguirá tornar esse processo mais fácil. 

A humildade

O segundo hábito é a prática da humildade. 

E eu digo humildade não no sentido piegas. Mas a humildade de admitir que você tem ego e que, muitas vezes, suas escolhas são direcionadas para atender às necessidades dele. 

Fazer escolhas que atendam ao ego não faz de você uma pessoa pior. 

Lembre-se: você é humana e todo ser humano tem ego e tem essência. 

O desafio é aprender a reconhecer os momentos em que você está a serviço de um ou de outro. Pergunte-se: 

  • Esse desejo vem do meu ego ou da minha essência?
  • Será que essa decisão tão importante na minha vida deve ser tomada a serviço do meu ego?

Para a segunda pergunta, talvez a melhor resposta seja não. 

Contudo, para decisões menores e que não têm tanto impacto, que não trazem consequências e preços tão caros, como “será que eu vou comer uma sobremesa hoje ou não?“, “será que eu vou ou não nessa festa?“, talvez você possa dizer sim para o seu ego. 

O ego busca prazer, conforto, recompensa imediata.

E é verdade que quando você está comendo brigadeiro, você busca sentir prazer agora. Você não está preocupada com a sua saúde amanhã ou se a calça jeans vai fechar depois de amanhã. 

Você só está preocupada em ter a satisfação momentânea.

Desde que você saiba disso, você consegue fazer escolhas melhores e equilibrar a sua vida. 

Você consegue construir uma vida que não seja inteira programada para prazeres imediatos. Uma vida que não seja inteira dominada e comandada pelo ego. 

Quando você ganha clareza dos momentos nos quais você está atendendo ao seu ego, quando você consegue admitir isso, você começa, de uma forma menos amedrontada, a reconhecer quais são as suas vaidades. 

Dê nome às suas vaidades

Admitir que você tem vaidades é o primeiro passo. Agora, você precisa identificar quais são elas e dar nome a cada uma delas. 

Quais são os atributos que você gostaria de mostrar para o mundo? O que você gostaria que o mundo admirasse em você? 

Ter essas vaidades dentro de você significa assumir que essas vaidades, hora ou outra, vão te seduzir. E, se você não tiver clareza de que você está fazendo escolhas e agindo em prol da sua vaidade, você vai se perder no caminho. 

Você vai se atropelar e se deixar ser comandada por essas vaidades. 

Por isso, liste as suas vaidades e esteja ciente delas. É bem provável que esse processo seja desconfortável, mas eu te garanto que vale a pena. 

O equilíbrio entre ter vaidade e ter essência

Existe uma forma de direcionar as suas vaidades e a sua essência para o mesmo lugar.

Vamos supor que você identifique ter a sua vaidade ancorada na quantidade de dinheiro que você ganha. 

Sozinha, essa vaidade pode te levar para diversos caminhos profissionais, certo? Caminhos esses que não necessariamente vão atender às necessidades da sua essência. 

Mas, será que não existe uma forma de ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas e transbordar coisas boas para o mundo?

É nessa reflexão que mora o equilíbrio entre o ego e a essência. 

Eu, por exemplo, tenho a admiração dos outros como uma vaidade minha. Mas, particularmente, eu não gosto de ser admirada por quanto faturo no mês. 

O que me preenche é saber quantas milhares de vidas eu transformei. O que me abastece é ler os feedbacks das minhas alunas, dizendo que suas vidas mudaram depois que conheceram o Acenda.

Percebe como é possível usar uma necessidade do ego (admiração) e direcioná-la a uma necessidade da essência (ajudar as pessoas)? 

Quando você consegue direcionar a sua vaidade para o mesmo rumo da sua essência, bingo!

O comando é da essência

A essência clama por transbordar para o mundo as transformações que você faz dentro de si. 

Se a sua vaidade e a sua essência estão apontando para direções diferentes, provavelmente, exista um conflito interno gigantesco dentro de você. 

Esse mesmo conflito interno existe dentro de todas as pessoas que ainda não tiveram a humildade de reconhecer que têm sim vaidades e que ainda não tiveram a sabedoria de direcioná-las à serviço da própria essência. 

O mantra é: vaidade alinhada a serviço da essência, e não o contrário. 

O comando é da essência. É ela quem dá a direção para a vaidade se alinhar. 

Essa história de ceder e deixar a vaidade te comandar é uma armadilha. O ego se apega aos aplausos e está disposto a sacrificar praticamente qualquer coisa para conseguí-los. 

Por isso, permita-se investigar. Admita as suas vaidades e cuide de manter o comando das suas ações nas mãos da sua essência. 

Você transborda para o mundo aquilo que sobra do lado de dentro. Se você estiver esgotada, você não vai conseguir transbordar energia, vitalidade, luz para vida de ninguém. 

Então, acolha a dualidade que existe em você e permita-se ser humana.