Carol Rache

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Como fazer escolhas

Quando você tem que fazer  escolhas, como você se sente depois? Você fica confortável com a parte chata que aquela escolha traz ou você é o tipo de pessoa que faz escolhas pela parte boa e vive reclamando da parte mais chata?

Toda escolha tem seu ônus e bônus e estar disposta a pagar o preço das suas escolhas faz parte do processo de amadurecimento. Neste post, quero te mostrar o jeito certo e maduro de tomar decisões. 

Amadurecer é fazer escolhas com consciência

Toda escolha é sempre uma aposta. Você nunca vai ter 100% de certeza de que algo vai dar certo. As escolhas carregam riscos e a verdade é que você nunca terá absoluta certeza dos resultados delas. 

Amadurecer significa desenvolver a habilidade de avaliar e aceitar as possíveis consequências das escolhas que você faz. Significa estar disposta a carregar o ônus e o bônus das suas escolhas.. 

Amadurecer significa aprender a pagar preços. 

Costumo dizer que tomar decisões de forma imatura é como comprar um pacote de jujubas e querer que ele só venha com jujubas do seu sabor preferido. Isso não existe. 

Comprar um pacote de jujubas é necessariamente entender que você vai ter que lidar com aqueles sabores que não gosta tanto, porque nenhum pacote vai vir só com as suas jujubas preferidas.

Usando mais uma metáfora gastronômica, é como decidir comer um brigadeiro. Você pode se deleitar com o sabor e aceitar as calorias que virão de brinde ou comer esse brigadeiro e ficar reclamando das mesmas calorias. 

Acontece que comer o brigadeiro reclamando é desejar a parte boa do sabor, mas não aceitar o ônus das calorias, entende?

Tomar uma decisão de forma madura é estar ciente das calorias e do sabor do brigadeiro, e escolher aproveitar o sabor sem reclamar. 

Como escolher nos relacionamentos?

Nos relacionamentos, por exemplo, você também precisa avaliar os ônus e os bônus. Eu costumo dizer, inclusive, que você deve escolher as pessoas pelos defeitos delas e não pelas qualidades.

Isso porque todo ser humano tem qualidades e defeitos. Na maioria das vezes, ao escolher com quem se relacionar, as pessoas olham apenas para as qualidades de quem as atrai e, internamente, cria expectativas baseadas apenas nos pontos positivos que enxerga no outro. 

Mas a realidade é que, dentro de um relacionamento, são os defeitos do outro que vão testar os seus limites no dia a dia. 

Por isso, existe um passo importante a ser dado antes de escolher com quem você deseja se relacionar. 

Você precisa saber quais são os seus valores e as suas prioridades. Pergunte-se: 

  • O que é prioridade para mim? 
  • O que de fato eu busco em um relacionamento? 

Suas prioridades precisam ditar suas escolhas

Se você é uma pessoa que precisa de alguém que te dê muita atenção e isso é uma prioridade para você, provavelmente, escolher alguém que se ausenta muito ou que prefere ter uma conduta mais independente não é o melhor caminho. 

“Ah, Carol, mas essa pessoa tem tantas outras qualidades”. Certamente tem. 

Todos nós temos muitas qualidades e muitos defeitos. Mas ninguém vai ter todas as qualidades do mundo, assim como ninguém vai ter todos os defeitos do mundo também. 

O que você precisa se perguntar é: “será que as qualidades dessa pessoa são admiráveis apenas para os olhos do mundo ou elas também são admiráveis aos meus olhos? Será que são essas qualidades que eu busco e priorizo? Será que esses defeitos são toleráveis para mim?”

Quando você cultiva essa relação íntima consigo mesma e entende o que realmente é importante para você, fazer escolhas e tomar decisões se torna um processo mais fácil nos seus relacionamentos, na sua saúde, em todos os âmbitos.

Como fazer escolhas profissionais?

Esse cuidado de olhar com muita honestidade para os seus desejos e ser sincera sobre o que realmente importa para você se estende também para a sua vida profissional. 

Na hora de escolher qual carreira seguir, você precisa se questionar e procurar entender o que é prioridade na sua rotina, e o que é que você deseja construir. Pergunte-se: 

  • Qual é a importância do dinheiro para mim? 
  • Acumular dinheiro é mais ou menos importante do que viajar, por exemplo?

Fazer essas perguntas sem julgamento vai te ajudar a ter mais clareza dos preços que você está disposta a pagar pelas suas escolhas.

Somente com essa clareza é possível escolher suas estratégias com sabedoria e maturidade. Afinal, como é que você vai estar confortável com as coisas das quais você abre mão, se você nem sabe o grau de importância que elas têm na sua vida?

E sabe qual é a melhor parte? Saber as suas prioridades também te deixa mais confortável em aceitar as prioridades das pessoas ao seu redor.  

O outro escolhe aquilo que é prioridade para ele

Imagine a seguinte situação: você identificou que, neste momento da vida, ganhar dinheiro é uma prioridade para você. Você sabe que, para isso, você vai precisar trabalhar mais horas na semana e, com consciência, você decide seguir esse caminho. Você tem clareza de que essa é uma escolha sua e apenas sua. 

Neste mesmo cenário, imagine que você tem uma colega de trabalho que não está disposta a fazer tantas horas extras como você está. Se você não estiver atenta ao processo de escolhas, provavelmente, você irá julgar essa outra colega por achar que todo mundo deveria estar com esse objetivo de ganhar muito dinheiro agora. 

Mas, ao entender que cada pessoa tem uma prioridade na vida e que amadurecer é fazer escolhas seguindo as nossas prioridades pessoais, você para de julgar tanto as escolhas dos outros – e isso também te ajuda a ter relações mais leves. 

Afinal, talvez ter mais tempo livre seja uma prioridade para a sua colega. Talvez, para ela, ter uma quantidade de dinheiro que dê para pagar as contas e viajar seja o suficiente. Talvez ela entenda que ganhar muito dinheiro não seja tão importante, como é para você. 

São prioridades diferentes e escolhas diferentes. 

Ter clareza do que é valoroso para você, te dá o poder de construir estratégias que apontam para o lugar onde você quer chegar. E, mais do que isso, te dá o entendimento de que cada um tem o direito de escolher quais preços melhor se encaixam nos seus próprios desejos. 

Fazer escolhas é assumir a responsabilidade sobre o que pulsa em você

Ter clareza dos seus valores significa também conseguir identificar o que é seu e o que não é. Muitas vezes, sem nem perceber, você atribui ao outro um desejo que é seu e usa isso de argumento para se sentir injustiçada pela vida. 

Você diz coisas como: “estou fazendo isso dessa forma porque meu marido gosta assim” ou “eu só fiz aquilo porque a minha mãe não ia gostar do contrário”. 

Você usa o desejo do outro para ancorar uma escolha que é sua e depois se sente injustiçada pelos resultados que aquela escolha te traz. E, às vezes, você até quer as mesmas coisas que essas pessoas. Mas, o fato de você não assumir que, no fundo, essa vontade é sua, te dá argumentos para se sentir vítima dos ônus de ter escolhido aquilo. 

 Você culpa seus pais, a vida, a sociedade, o marido, todos, menos você mesma. 

É por isso que eu falo que o primeiro passo para fazer escolhas bem feitas é olhar para dentro, se conhecer, saber quais são os seus valores e quais são as suas reais prioridades. Isso tudo sem maquiar essas prioridades para que elas fiquem bonitas sob os olhos do mundo, apenas aceitando que elas são o que são. E aí, a partir disso, escolher com sabedoria. 

Fazer escolhas é saber quais preços você está disposta a pagar 

Ao fazer esse processo com honestidade e sem julgamento, você vai conseguir escolher a sua carreira, as pessoas com as quais você convive, as viagens que vai fazer e o estilo de vida que você vai ter, levando em consideração os seus próprios valores e as pulsões que existem dentro de você. E essas escolhas serão muito mais confortáveis de lidar, pois você já terá entendido os preços que precisa pagar. 

Você não vai mais precisar comer o brigadeiro e reclamar das calorias, porque você entende que, neste domingo à tarde, o deleite do sabor é sua prioridade. Pode ser que na segunda-feira, sua prioridade seja outra, mas, hoje, a sua prioridade é o brigadeiro. 

No domingo, você escolhe o brigadeiro e se compromete com ele. Na segunda-feira, você escolhe a dieta e abre mão do brigadeiro. Isso tudo sem peso e sem cobrança desnecessária. 

É preciso ter muita consciência do que é prioridade para você a cada momento da sua vida, para que os preços das escolhas que você faça não fiquem pesados demais para pagar.. 

Amadurecer significa, no fundo, parar de sofrer com a parte chata daquilo que escolhemos, porque, afinal, não existe almoço de graça e nem brigadeiro sem calorias.